CÂMARA DE LOBOS - DICIONÁRIO COROGRÁFICO

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Brasão de Armas do Coronel João Gualberto Pinto

 

 

O coronel João Gualberto Pinto era natural da freguesia do Estreito de Câmara de Lobos onde nasceu ao sítio da Vargem a 5 de Julho de 1769 tendo-se baptizado a 12 do mesmo mês e faleceu a 29 de Novembro de 1833. Era filho de Pascoal Pestana Annes, instituidor da capela das Almas, na freguesia do Estreito de Câmara de Lobos e de Teresa Maria Pinto.

Sucedeu a seu pai na titularidade do solar e capela das Almas e foi Coronel de Melicias do Regimento da Madeira.

A 11 de Julho do ano de 1825 é-lhe concedida Carta de Brasão de Armas de Nobreza e Fidalguia, do seguinte teor: D. Joao por Graça de Deos Rey do Reyno Unido de Portugal, Brazil, e Algarves, daquem, e dallem Mar, em Africa Senhora de Guine, e da Conquifta Navegação, e Commercio de Ethiopia, Arabia, Percia, e da India &ª. Faço faber aos que efta Minha Carta de Brazão de Armas de Nobreza, e Fidalguia virem que João Gualberto Pinto, Coronel Graduado do Regimento de Mellicias da Ilha da Madeira, Me fez petição dizendo que pela Sentença de Juftificação de fua Nobreza, a ella junta, profferida, e affignada pelo Meu Corregedor do Civel, o Doutor Francisco Venancio da Veiga, fubscripta por Luiz Antonino Raimundo, Escrivão do mesmo Juizo, se moftrava que elle he filho legitimo de Pascoal Peftana Annes, e de fua mulher Dona Thereza Maria Pinto, Neto por parte paterna de Francisco Peftana, e de fua mulher Dona Marianna de Faria. Neto por parte materna de Gaspar Pinto da Silva, e de fua mulher Dona Antonia Gonçalves. E que os refferidos feus Pais e Avós fão peffoas Nobres das famillias dos Peftanas, e Pintos, e como taes se tratárão fempre á Ley da Nobreza, com Armas, Creados, e Cavallos, fem que em tempo algum cometecem crime de Leza Mageftade Divina ou Humana. Pelo que Me pedia elle fupplicante por Mercê, que para a memoria de feus Progenitores fe não perder, e clareza de fua antiga Nobreza, lhe Mandaffe dar Minha Carta de Brazão de Armas das ditas famillias, para dellas tambem uzar na forma que as trouxerão, e forão concedidas aos ditos feus progenitores. E vifta por Mim a dita petição, e Sentença, e conftar de tudo o refferido, e que a elle como deffendente das mencionadas famillias lhe pertence uzar e gozar de fuas Armas, fegundo o Meu Regimento, e Ordenação da Armaria, lhe Mamdei paffar efta Minha Carta de Brazão dellas, na forma que aqui vão Brazonadas, Devizadas, e illuminadas com cores, e metaes fegundo fe achão Regiftadas no Livro do Regifto das Armas da Nobreza, e Fidalguia deftes Meus Reynos, que tem o Meu Rey de Armas Portugal a faber. Hum Efcudo partido em palla: na primeira, as Armas dos Peftanas, que fão em campo de prata tres faxas vermelhas; e na fegunda palla as Armas dos Pintos, que fão em campo de prata cinco creffentes fanguinhos com as pontas para sima, poftos em fautor. Elmo de prata aberto guarnecido de ouro. Paquife dos metaes, e cores das Armas. Timbre dos Peftanas, que he hum leão de prata armado de vermelho, e por differença huma brica azul com hum farpão de ouro. O qual Escudo, e Armas poderá trazer, e uzar tão-fomente o dito João Gualberto Pinto, affim como as trouxerão, e uzárão os ditos Nobres, e antigos Fidalgos, feus Antepaffados, em tempo dos Senhores Reys Meus Anteceffores, e com ellas poderá entrar em Batalhas, Campos, Reptos, Efcaramuças, e exercitar todos os mais actos licitos da Guerra, e da Paz. E affim mesmo as poderá trazer em feus Firmais, Aneis, Signetes, e Devizas, polas em fuas Cazas, Capellas, e mais Edificios, e deixallas fobre fua propria fepultura, e finalmente se poderá fervir, honrar, gozar, e aproveitar dellas em tudo, e por tudo como á fua Nobreza convem. Com o que Quero, e Me Praz que haja elle todas as Honras, Previlegios, Liberdades, Graças, Mercês, Izenções, e Franquezas, que hão, e devem haver os Fidalgos, e Nobres de antiga Linhagem, e como fempre de tudo uzárão, e gozárão os ditos feus Antepaffados. Pelo que Mando aos Meus Dezembargadores, Corregedores, Provedores, Ouvidores, Juizes, e maisJuftiças de Meus Reynos, e em efpecial aos Meus Reys de Armas, Arautos, e Paffavantes, e a quaesquer outros Officiaes e peffoas a quem efta minha Carta fôr moftrada, e o conhecimento della pertencer, que em tudo lha cumpão e guardem, e fação inteiramente cumprir e guardar como nella se contem, fem duvida nem embargo algum que a ella feja pofto, porque affim he Minha Mercê. ELREY Noffo Senhor o Mandou por Izidoro da Cofta e Olliveira, Cavalleiro das Ordens de Chrifto, e da Torre e Efpada, Condecorado com a Medalha de ouro da Reftauração dos Direitos da Realeza, Cavaleiro Fidalgo de Sua Caza Real, feu Creado Particular, e feu Rey de Armas Portugal. Henrique Carlos de Campos Efcrivão Ajudante da Nobreza deftes Reynos, e feus Dominios, a fez em Lisboa aos onze dias do mez de Julho do Anno do Nascimento de Noffo Senhor JEZUS Chrifto de mil oito centos e vinte cinco.

Esta carta de Armas foi registada a 13 de Agosto de 1825 no livro do registo dos Brasões de Armas da Nobreza e Fidalguia a folhas 154.

 

 

Câmara de Lobos

Dicionário Corográfico
Edição electrónica

Manuel Pedro Freitas

 

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