CÂMARA DE LOBOS - DICIONÁRIO COROGRÁFICO

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Associação Protectora de Senhoras Pobres

 

 

Era uma associação com sede no sítio da Caldeira, na freguesia de Câmara de Lobos, criada por escritura de 3 de Janeiro de 1938 lavrada no Cartório notarial de Câmara de Lobos, pelo notário Manuel Pontes de Gouveia e registada a fls. 28 do livro nº 139.

Tinha por fim a aquisição de bens de espécie móvel e imóvel e realização de haveres e rendimentos com destino ao objecto que a denominação respectiva fazia sugerir. Na altura em que foi constituída possuía um capital social de cem mil escudos integralmente realizado e dividido em cinco quotas no valor nominal de vinte mil escudos cada, subscritas uma por cada um dos cinco outorgantes: Firmina Ferraz, Silvina Matilde de Barros, Augusta Policarpo Abreu, Mónica Teresa de Ornelas e Maria Matilde Martins, todas solteiras.

Ainda que as suas disposições estatutárias não o dêem a entender, esta associação era maioritariamente constituída por irmãs da congregação de Santa Clara sitiadas no sítio da Caldeira, em Câmara de Lobos e a sua constituição teve por finalidade, poder a congregação receber a doação de algumas propriedades, onde se incluía a capela de Nossa Senhora da Piedade e terreno onde havia construído o seu mosteiro e que a ela haviam sido verbalmente doados pelo padre António Rodrigues Dinis Henriques. Com efeito, apesar de ser sua intenção doar  às irmãs clarissas, que depois da sua expulsão do convento de Santa Clara, se haviam refugiado na Caldeira, para nelas construírem o seu convento, a situação política de separação entre o Estado e a Igreja, advinda com a implantação da república não o permitia, sob pena dos seus bens irem parar ao Estado. Por esse facto, o padre António Rodrigues Dinis Henriques, mediante celebração de escritura acaba por doar as suas propriedades ao padre João Joaquim de Carvalho, sendo, no entanto, do domínio público que, este quando a situação política o permitisse deveria transferir para as irmãs Clarissas essas propriedades, o que vem a acontecer em 1938. Com efeito, a 5 de Janeiro deste ano, o padre acaba por transmitir a propriedade dos bens do padre António Rodrigues Dinis Henriques, para as irmãs Clarissas através de uma venda fictícia, não directamente às irmãs mas a uma associação, a Associação Protectora de Senhoras Pobres, e constituída maioritariamente por elas dois dias antes da transacção.

Câmara de Lobos

Dicionário Corográfico
Edição electrónica

Manuel Pedro Freitas