CÂMARA DE LOBOS - DICIONÁRIO COROGRÁFICO

A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z  
 
Entrada > Dicionário > C > Campo Municipal de Câmara de Lobos
 

Sons da inauguração do relvado do Campo Municipal de Câmara de Lobos

 

 

Campo Municipal de Câmara de Lobos

 

O Campo Municipal de Câmara de Lobos,  situa-se na margem es­querda da Ribeira dos Socorridos, curiosamente, em local perten­cente ao concelho do Funchal.

A  inauguração da sua iluminação ocorreu no dia 21 de Abril de 1983, tendo o acto sido presidido pelo Dr. Alberto João Jardim, presidente do Governo Regional.

No dia 10 de Setembro de 1984, foi inaugurado o muro de separa­ção entre a Ribeira dos Socorridos e o Campo Municipal de Câmara de Lobos e Central da Vitória, obras englobadas na pri­meira fase da recanalização da Ribeira dos Socorridos e tendo como objectivo fundamental contribuir para a protecção da Central Térmica da Vitória e do Campo Municipal de Câmara de Lobos.

No dia 16 de Outubro de 1986, foram inauguradas as bancadas para espectadores no campo municipal de Câmara de Lobos.

No dia 9 de Fevereiro de 1990 foram inauguradas a cabine para a comunicação social e novos balneários e lavandaria e posto médico do Centro Social e Desportivo de Câmara de Lobos.

No dia 21 de Maio de 1996, em conferência de imprensa realizada no salão nobre da Câmara de Lobos, é anunciada a intenção de o relvar, isto de forma a poder ser utilizado pelo Centro Social e Desportivo de Câmara de Lobos que na época de 1995/96, havia subido à 2ª divisão nacional B, em Futebol.

No dia 26 de Janeiro de 1997, num acto presidido pelo Dr. Alberto João Jardim, presidente do Governo Regional, foi solenemente inaugurado o arrelvamento deste campo. Para o efeito foi convidado a equipa de juvenis do Sport Lisboa e Benfica que defrontou a equipa do Centro Social de Desportivo de Câmara de Lobos [1].


 


[1]  “CAMPO MUNICIPAL DE CÂMARA DE LOBOS - Notas à margem da inauguração do seu relvado”.

No passado dia 26 de Janeiro de 1997 procedeu-se à inauguração do relvado do campo Municipal de Câmara de Lobos, com um desafio de futebol entre as equipas infantis do Centro Social e Desportivo de Câmara de Lobos e do Sport Lisboa e Benfica.

Apesar de ninguém colocar em causa a importância que o empreendimento tem para o concelho e, principalmente para o Centro Social e Desportivo de Câmara de Lobos, que a partir de agora passa a poder jogar mais próximo do seu público, à margem deste acontecimento não faltaram pessoas a defender que no desafio inaugural deveriam estar em confronto as duas equipas do concelho. Afinal, tratava-se de um importante melhoramento municipal e que melhor para o inaugurar do que um derbi entre o Centro Social de Câmara de Lobos e o Grupo Desportivo do Estreito num dos escalões de formação!

Ainda que aparentemente irrelevante, esta questão viria, contudo, a levantar a suspeição não só sobre a forma como o processo de arrelvamento foi conduzido, como sobre uma eventual perda do estatuto de campo Municipal até então vigente  e sua passagem, na prática, para campo de uma única colectividade.

Com efeito, questionado sobre a opção pelo convite ao Benfica, em vez do Estreito para o desafio inaugural, um alto dirigente do CSDCL deu a entender que para a sua casa convidava que queria, o que será quase o mesmo que dizer que, a partir daquela altura, de Municipal, o campo passava a ser do Centro Social e Desportivo de Câmara de Lobos. Isto naturalmente se a Empresa de Electricidade da Madeira, entretanto não fazer valer os seus direitos sobre este terreno, pese o facto da história dizer que, não há muitas décadas, eles foram usurpados à metade do leito da ribeira dos socorridos pertencente ao concelho de Câmara de Lobos,  pelos anteriores proprietários e vizinho da sua margem esquerda. Veja-se a posição do campo relativamente aos arcos da ponte e tirem-se as devidas conclusões.

Interrogado sobre a mesma questão, ou seja sobre o convite ao Sport Lisboa e Benfica em detrimento do clube local, o presidente da Câmara Municipal de Câmara de Lobos vem confirmar todas as suspeições ao apontar o Centro Social e Desportivo de Câmara de Lobos como a entidade que estabeleceu o protocolo com o IDRAM para o arrelvamento do campo, justificando-se por isso o direito de opção no convidado.

Tudo bem! Quem liderou todo o processo junto do IDRAM, entidade que subsidiou o empreendimento e com quem para o efeito havia celebrado um protocolo, mereceria ter uma palavra sobre a forma como deveria decorrer a inauguração. Contudo, segundo nos consta, não há deliberações da Câmara Municipal a autorizar o CSDCL a estabelecer qualquer protocolo com o IDRAM,  envolvendo directa ou indirectamente o campo, como não parece haver qualquer deliberação da Câmara Municipal de Câmara de Lobos a ceder o referido campo ao CSDCL o que vem levantar, pelo menos teoricamente dois problemas: ilegalidade no protocolo assinado entre o CSDC e o IDRAM ou, no caso de ser legal, redução do estatuto de municipalidade do campo unicamente às bancadas e despesas de manutenção do recinto, uma vez que a relva passou a ser do CSDCL e não acredito que para além das suas equipas, este permita que os escalões de formação de outro clube lá treinem ou joguem, o que gerará entre a miudagem do concelho a ideia de camaralobenses de primeira e segunda.

Aprofundando, no entanto, um pouco mais esta questão, constataremos que afinal esta é unicamente mais caso num processo tortuoso, uma vez que, o recinto onde está implantado o campo e onde tanto a Câmara Municipal de Câmara de Lobos, como o Centro Social e Desportivo de Câmara de Lobos, Grupo Desportivo do Estreito e Governo Regional, têm gasto grandes quantias, se encontra no Funchal e legalmente pertence à Empresa de Electricidade da Madeira. Desconhecendo-se a existência de qualquer protocolo de cedência do espaço em causa, curioso seria saber o que é que aconteceria se algum dia a EEM o reivindicasse para si, o que, naturalmente não nos parece plausível que aconteça!

Perante isto talvez seja altura para a Câmara regularizar toda esta situação, demostrar de uma vez por todas que é capaz de definir fronteiras inequívocas entre aquilo que é Câmara e aquilo que é o CSDCL ou outras quaisquer instituições do concelho e, enquanto não existirem alternativas, impedir que as crianças do concelho sejam discriminadas no grande sonho de jogar na relva, só porque não jogam no CSDCL.

Sem retirar qualquer direito ao CSDCL, cuja equipa sénior se apresenta obviamente como o utilizador privilegiado do recinto, este pequeno gesto por parte da Câmara seria muito provavelmente suficiente para arrefecer ânimos  e impedir o aumento do fosso que tradicionalmente separa não só estas colectividades como alguns sectores da população.

M. Pedro Freitas, Câmara de Lobos, Janeiro de 1997.

 

 

 

 

   

Câmara de Lobos

Dicionário Corográfico
Edição electrónica

Manuel Pedro Freitas

1