CÂMARA DE LOBOS - DICIONÁRIO COROGRÁFICO

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Fontenários

 

O mesmo que fontanários. Estruturas de pedra, argamassa ou de ferro, para onde é canalizada água, por forma a constituir uma fonte artificial destinada abastecimento público de água.

O abastecimento de água potável à população, foi ao longo dos anos não só um problema de difícil solução, como atravessou várias fases. O fontenário surge como o primeiro meio de abastecimento público às populações, dependendo o seu número não só da população a servir, mas também e, sobretudo, das disponibilidades das autarquias na aquisição das águas e seu transporte desde a nascente até eles.

Este facto fazia com que só os principais núcleos populacionais estivessem dotadas de fontenários, obrigando as pessoas residentes nos restantes, a recorrer quer a fontenários situados noutras localidades quer a nascentes privadas ou de utilização comunitária, donde transportavam em aguadores, às vezes de grandes distâncias, a água de que necessitavam principalmente para a alimentação ou para os actos de higiene, recorrendo, por outro lado, às ribeiras, aos poços, às levadas ou a lavadouros públicos quando existiam, para lavagem das roupas.

Ainda que não reflectido a verdadeira dimensão das dificuldades de abastecimento de água, o conteúdo da resposta dada pela Câmara Municipal de Câmara de Lobos a um abaixo assinado a si dirigido, em 1941, pelos habitantes do sítio da Vargem, no Estreito de Câmara de Lobos, pedindo a construção de marcos fontenários, por não haver água potável e ser perigoso beberem água da levada, permite-nos ter uma noção mais real desta problemática. Refere a Comissão Administrativa na sua resposta, sentir-se sensibilizada pelo interesse do bem público tomado pelo promotor do abaixo assinado, e até hoje não tem descorado o problema da água potável no concelho. Já adquiriu esta comissão algumas penas de água potável (56 penas) sendo cinco com auxílio da Junta Geral, 4 oferecidas, pelo Sr. João Joaquim Henriques (de Belém); já iniciou a sua canalização abastecendo a freguesia da Quinta Grande e Cruz da Caldeira, que a não tinham e pretende abastecer os sítios do Rancho, Caldeira, Caminho Grande e Preces, cujos habitantes bebem água estagnada guardada em poços no inverno, poços que são cavados na rocha e abertos, sujeitos por isso a receberem todos os germens e detritos levados pelas crianças, poeiras, etc. Estes trabalhos de distribuição de água potável estão suspensos devido ao elevado preço da canalização, à dificuldade da sua aquisição, em vista da guerra internacional. Estejam portanto esperançados os signatários do abaixo assinado que a Comissão logo que lhe seja possível abastecerá de água os referidos sítios [1].

Por aqui também se compreende, a grande alegria, vivida pela população e as grandes festas que se faziam por ocasião da inauguração de um fontenário.

Na ausência de um serviço público de distribuição domiciliária de água e perante a escassez de fontenários públicos, algumas pessoas, de maiores posses, recorriam à aquisição de água, chamada de nascente ou de pena, proveniente de nascentes privadas.

Ainda que seja extremamente difícil e também fastidioso enumerar os fontenários construídos no concelho de Câmara de Lobos, uma vez que muitos deles, com o abastecimento de água ao domicílio acabaram por ser desactivados e destruídos, não poderemos deixar de recordar alguns, não só pela importância que tiveram na altura em que foram construídos, como fonte de abastecimento de água à população, mas também por terem conseguido resistir ao tempo.

Com excepção do ainda hoje existente na rua de Nossa Senhora da Conceição, em Câmara de Lobos e de dois que existiram no centro da freguesia do Estreito de Câmara de Lobos, nenhum possui, no entanto, qualidade arquitectónica de registo, o que não quererá dizer que não constituam marcas da história camaralobense.

Na hoje cidade de Câmara de Lobos, um dos mais antigos meios de abastecimento público de água à sua população terá sido um poço que se localizava no largo do Poço, hoje largo Dr. Eduardo Antonino Pestana, cuja água haveria de, em 1875 ser transferida e aproveitada para um fontenário ou chafariz  nesse ano construído, nas suas proximidades, à margem da rua da Conceição [2].

Em 1856, existia também um fontenário denominado fonte de São Sebastião, ao que supomos junto à igreja matriz de Câmara de Lobos, muito provavelmente junto ao largo de São Sebastião, nas proximidades do local onde hoje tem início a rua Padre Eduardo Clemente Nunes Pereira [3] e que terá sido desactivado e destruído em finais de 1957, princípios de 1958 [4] ou então em 1960 [5]. Com efeito, na reunião da CMCL de 14 de Setembro de 1960, por proposta do seu presidente, a Câmara aprovou por unanimidade encarregar o empreiteiro Estevão da Silva de proceder à demolição do fontenário existente no Largo de São Sebastião" [6].

Provavelmente em 1857, Henri Veitch terá sido construído um fontenário junto à sua casa, em Câmara de Lobos, no mainel da ponte sobre a ribeira do Vigário, como uma das contrapartidas pela cedência de água pública para a sua habitação [7].

É provável que, em 1863, ano que Joaquim Pestana refere com tendo sendo um ano em que a Câmara iniciara uma série de melhoramentos, tenha sido construído um Chafariz na rua da Portada, junto ao Ilhéu [8].  No ilhéu seria inaugurado um fontenário no dia 28 de Maio de 1938.

Em Setembro de 1897, a Câmara é autorizada a reparar as ruas da vila bem como os seus dois chafarizes [9], provavelmente numa alusão à fonte de São Sebastião e ao fontenário do largo do Poço.

Em 1913, um órgão de informação, referindo-se ao estado do abastecimento de água em Câmara de Lobos referia que Câmara de Lobos, poder-se-ia dizer que não possuía água. Com efeito, nos sítios afastados do Rancho e Caldeira não existiam fontes e, na vila, a população ia-se alimentando de água da rocha de Belém, isto numa alusão à fonte da Rocha que no inverno era turva e não dava para consumo da população. Para além disso no sítio do poço existia um marco fontenário, que por desgraça era um acumulador de águas de rega de todos os quintais que se ia infiltrando através dos terrenos, formando no poço um depósito donde uma parte importante da população se abastecia [10].

Em 1935 uma carta publicada na imprensa uma vez mais denuncia a falta de água em Câmara de Lobos. A freguesia de Câmara de Lobos possui cerca de 11 mil almas e apenas tem dez penas de água que vai canalizada do Estreito. A Câmara tem quatro fontenários naquela freguesia, os quais são abastecidos com a referida água. Apenas seis penas vão para os habitantes da vila e arredores, até à Torre.

Tal escassez não chega para uma pequena parte das necessidades daquela gente que se vê obrigada a usar água conspurcada. Pedem-se providências às dignas instituições administrativas - Junta Geral e Câmara - para socorrerem aquela população [11].

Em Junho de 1925, a Junta Geral do Distrito, estava na posse dos projectos de construção de um fontenário na Torre, outro no Serrado da Adega e ainda outro no sítio do Espírito Santo tendo mesmo anunciado a praça para arrematação das sua construção [12].

Em Abril de 1926, a imprensa anunciava a construção de um fontenário no sítio do Convento [13], o que poderá corresponder ao do Serrado da Adega.

De acordo com o Diário da Madeira de 6 de Fevereiro de 1926, a Junta Geral do Distrito havia deliberado fornecer meia pena de água de vinha da freguesia do Estreito para abastecimento de um marco fontenário municipal no sítio do Convento, na freguesia de Câmara de Lobos.

Na edição do Diário da Madeira de 6 de Março de 1926 é deliberado pela Junta Geral do Distrito ceder as sobras do marco fontenário do sitio do convento para o abastecimento do internato infantil, localizado no ex-convento de São Bernardino.

Em Outubro de 1927, numa iniciativa da Câmara Municipal de Câmara de Lobos, o antigo passeio da vila de Câmara de Lobos junto à praça de peixe, estava a ser transformado num largo, — o largo de Camões — onde seria instalado um marco fontenário e cujos trabalhos de encaminhamento para água já se tinham iniciado, obra da iniciativa da Câmara Municipal de Câmara de Lobos [14].

Em finais de Janeiro de 1928, estava já concluído o rebaixamento do seu pavimento ou chão [15] e, em Março de 1928 já estaria em funcionamento o fontenário [16].

Em 1954, na sequência da construção do edifício da lota do peixe, este fontenário seria deslocado alguns metros, para a localização que hoje possui [17].

Em finais de Junho princípios de Julho de 1934, a Câmara Municipal de Câmara de Lobos resolveu construir um fontenário à porta do Colégio da Preservação para utilidade pública. Esta iniciativa, para além de servir a população local iria também servir o Colégio da preservação que às vezes sentia dificuldades para preparar a sopa que administrava às suas alunas [18].

Em Junho de 1934, num abaixo-assinado dirigido à Junta Geral, a população do sítio da Palmeira e Voltas, solicita a entrada em funcionamento de um marco fontenário existente nesta localidade [19].

No dia 28 de Maio de 1941, foi inaugurado no sítio de Jesus Maria José, um marco fontenário, em cantaria vermelha, mandado construir pela Câmara Municipal de Câmara de Lobos com a colaboração dos habitantes locais, que para além de terem oferecido o terreno, trabalharam na sua edificação [20]. Este fontenário de rara beleza, acabaria por mais tarde ser desactivado e depois destruído, na sequência de alteração do trajecto do troço de estrada regional, onde se encontrava implantado. Em sua substituição viria a ser construído mais tarde, provavelmente em 1961, o chamado fontenário da Bela Vista.

Na sessão de 13 de Julho de 1955, a Câmara Municipal de Câmara de Lobos, considerando que na rampa do vigário da vila se encontravam desperdiçados cerca de 15 penas de água da nascente dos Regos e considerando a grande falta de água que se vinha notando na vila, deliberou mandar construir por administração directa, um pequeno fontenário naquela rampa e canalizar a água sobrante para o depósito junto ao posto da polícia [21].

A 9 de Outubro de 1957 a Câmara deliberou construir um fontenário no sítio do Ribeiro Real [22], fontenário que em Novembro de 1957 já se encontrava concluído [23]. Supõe-se que este fontenário corresponda ao que esteve implantado no muro de vedação da propriedade do Dr. Marcelino Pereira e que terá sido posteriormente retirado na sequência das obras de construção da via de saída da via rápida para a ponte dos Frades.

Em Março de 1958, Manuel Fernandes Dantas Faria, oferecer-se-ia para doar à Câmara o terreno necessário para a construção de um fontenário no sítio dos Lamaceiros [24].

Em Fevereiro de 1960, os proprietários da Casa Torre Bela, provavelmente a pedido da Câmara Municipal de Câmara de Lobos, oferecem uma área de 32 metros quadrados de terreno para a construção de um fontenário ao sítio da Torre, freguesia de Câmara de Lobos [25].

A 25 de Janeiro de 1961, a Câmara deliberaria abrir concurso limitado para construção de um fontenário no sítio de Jesus Maria José freguesia de Câmara de Lobos [26] e que certamente corresponderá ao fontenário também chamado da Bela Vista que a 8 de Junho de 1961, já se encontrava ao serviço da população [27].

A de 2 de Março de 1961, a Câmara delibera mandar construir por administração directa um fontenário público  no sítio da Caldeira, freguesia de Câmara de Lobos [28], [29].

Em Junho de 1966, a Câmara delibera mandar construir, por administração directa, um fontenário no Ribeiro de Alforra e Fonte Garcia (Tabaibas), na freguesia de Câmara de Lobos [30], encontrando-se já concluído em finais de Julho do mesmo ano [31].

Na freguesia do Curral das Freiras, em Setembro de 1904, Luís Soares de Sousa Henriques, havia vendido 7 penas de água à Junta Geral para esta abastecer um fontenário que pretendia construir nas Casas Próximas, na freguesia de Curral das Freiras [32].

Em 1953 existia no Curral das Freiras um único fontenário público [33].

A 12 de Janeiro de 1966, a Câmara deliberou a construção, por administração directa um fontenário no sítio da Seara Velha, freguesia do Curral das Freiras [34].

Na freguesia do Estreito de Câmara de Lobos, em Abril de 1913, a imprensa dá conta da necessidade de construir um fontenário no Salão [35].

Se foi ou não construído, não sabemos. Aquilo que se sabe é que, dez anos depois, na sua sessão de 5 de Julho de 1923, a Junta Geral manda proceder ao estudo da construção de um marco fontenário no sítio do Salão, no Estreito de Câmara de Lobos [36] .

Em Fevereiro de 1925, a Junta Geral do Distrito deliberaria autorizar o presidente da Câmara Municipal de Câmara de Lobos a adquirir uma pena de água para o marco fontenário a construir junto ao passal da igreja do Estreito de Câmara de Lobos [37], fontenário que efectivamente haveria de ser construído. Situado no largo do Patim, este fontenário tinha significativa beleza artística, mas viria a ser destruído, por volta de 1964, a quando da construção do salão paroquial e ampliação do adro da igreja e substituído

por outro, localizado no mesmo largo, mas que apesar de apresentar alguma beleza arquitectónica, de forma alguma era comparável ao primitivo. Com efeito, em de Fevereiro de 1964,  um pedido da Comissão encarregada da obra de ampliação do adro da igreja de Nossa Senhora da Graça na freguesia do Estreito de Câmara de Lobos, requerendo uma comparticipação da Câmara dá a entender que o projecto incluía a construção de sanitários e deslocação do fontenário [38].

Construído o novo fontenário, a Câmara, deliberaria em 10 de Novembro de 1965, mandar proceder por administração directa à ligação de água[39]. Contudo, esta ligação ter-se-á atrasado o que leva o zelador, dois meses depois, a informar que o fontenário já se encontrava concluído estando em necessidade a ligação da respectiva água [40], [41].

A construção, em 1925, deste fontenário, no largo do Patim, não deixa de surpreendente dadas as dificuldades financeiras que caracterizava as Câmaras, uma vez que, nas suas proximidades, mais propriamente na rua da Igreja, sensivelmente em frente da porta leste do adro da igreja, existia um outro fontenário, provavelmente o mais belo exemplar, desde sempre construído no concelho de Câmara de Lobos.

Sem sabermos precisar a data da sua construção, é provável que o fontenário existente na actual rua da Igreja, tivesse sido construído em data anterior a 1920. Em Junho de 1925, a imprensa anunciava que  José Fernandes de Azevedo havia oferecido das suas propriedades uma pena de água para abastecimento deste fontenário situado em frente à igreja paroquial do Estreito e que desde há anos não deitava água [42], [43].

Aliás, já em Maio de 1898, o chafariz municipal do Estreito era apontado como não deitando água, havia meses, isto porque se encontrava arruinado, facto que mereceria uma deliberação da Câmara no sentido da sua reparação [44], tendo a arrematação das respectivas obras ficado agendado para o dia 25 de Janeiro de 1899 [45]. Nos primeiros dias de Maio as obras de reparação do fontenário que terão fundamentalmente incidido no seu depósito já estavam concluídas e foram pagas [46].

Na década de 70, foi este fontenário destruído a quando da construção da estrada de acesso ao Covão, hoje denominada, na sua parte inicial por rua João Augusto de Ornelas, sem que a sua estrutura em alvenaria tivesse sido alvo de protecção.

Em Junho de 1925, a Junta Geral estava na posse do projecto de construção de um marco fontenário para o sítio de Pico e Salões, tendo mesmo anunciado a praça para arrematação da sua construção [47].

Em Abril de 1926, referindo-se provavelmente a este fontenário, a imprensa dava conta da construção de um fontenário à margem da estrada nacional nº 23 no sítio de Pico e Salões [48].

Posteriormente, com a construção de uma residência no prédio onde estava implantado, este fontenário haveria de mudar de localização, situando-se actualmente nas traseiras do referido prédio. Na transferência do fontenário perderam-se as suas características primitivas, conservando-se unicamente a pia.

Em Finais de Setembro, princípios de Outubro de 1931, a Junta delibera construir, por administração directa, um fontenário no sítio do Calvário [49]. Em Junho de 1961, contudo, um comunicado de um zelador da CMCL refere que este fontenário não tinha água a alguns anos em virtude não só da canalização se encontrar estragada como também da nascente não ter água suficiente, sugerindo que fosse abastecido com parte da água do Ferraz que ia para a vila [50], sugestão que em Novembro desse ano a Câmara acabaria por aceitar [51]. Nos primeiros meses de 2004, na sequência das obras de alargamento verificadas no largo do Colvário, por forma a permitir a ligação da rua do Calvário com a rua Dr. António Vitorino de Castro Jorge, este fontanário viria a ser deslocado alguns metros para noroeste, para o caminho do Estreitinho.

A 28 de Fevereiro de 1936, a Câmara deliberaria proceder à captação e canalização das águas da nascente da levadinha do sítio da Igreja, freguesia do Estreito de Câmara de Lobos para abastecimento dos fontenários dos sítios da igreja daquela freguesia [52]. Ainda que não se saiba se esta obra foi levada a cabo nem quais os fontenários abrangidos, a verdade é que na sua sessão de 25 de Setembro de 1936 é autorizado  o pagamento de operários e materiais empregues nos trabalhos de canalização de águas para os fontenários do Estreito [53].

Na sessão camarária de 11 de Julho de 1958, é presente um abaixo-assinado de vários moradores dos sítios da Igreja e Ribeira da Caixa, freguesia do Estreito de Câmara de Lobos pedindo para a Câmara ceder a água para um fontenário que se propunham construir no sítio da igreja, merecendo parecer favorável [54]. É provável que este fontenário corresponda ao actualmente existente na Levadinha, uma vez que se situa entre os sítios da Igreja e Ribeira da Caixa.

Este fontanário foi destruído em finais de Maio, princípios de Junho de 2004, no decurso das obras de alargamento do caminho do cemitério e de construção da estrada de ligação da rua Cónego Agostinho Figueira Faria à rua Francisco Figueira Ferraz.

A 11 de Outubro de 1961, a Câmara procede por administração directa à construção de dois fontenários públicos, sendo um no sítio do Garachico e outro no sítio da Pereira, ambos na freguesia do Estreito [55].

Na sua edição de 4 de Agosto de 1965, o Diário de Notícias, dá conta do grande esforço do padre António Sousa Costa e da população do Garachico nas obras de construção da sua igreja.

Faz um historial cronológico das obras e salienta o papel do padre António Sousa Costa na abertura de uma estrada de acesso à igreja, de um escola no Garachico de dentro e ainda de um fontenário.

A 12 de Janeiro de 1966, a Câmara deliberou a construção, por administração directa um fontenário no sítio no Covão, freguesia do Estreito [56], deliberação que se repete em Junho do mesmo ano [57].

Com as mesmas características do que o fontenário do salão, a freguesia do Estreito de Câmara de Lobos, conserva ainda outros dois fontenários cuja data de construção se desconhece, mas que se presume poder corresponder a finais dos anos 20 (1925-1930) e que são o fontenário do Jogo da Bola, na rua Prof. José Joaquim da Costa, o fontenário da rua Capitão Armando Pinto Correia e ainda o fontenário existente nas proximidades da capela de Santa Ana, na rua Prof. José Joaquim da Costa.

Relativamente ao existente na rua Capitão Armando Pinto Correia, anos depois da sua construção viria a ficar incorporado na construção de uma residência, ainda que

Fontenário rua Cap. A. P. Correia Fontenário rua Prof. J. J. da Costa

se mantendo acessível ao público.

Na freguesia da Quinta Grande, existiam em 1953 unicamente quatro fontenários, motivo porque em resposta a um ofício da Junta Geral, relativamente ao abastecimento de água ao concelho de Câmara de Lobos, a Câmara recomenda um estudo geral [58].

Um dos primeiros fontenários construídos na Quinta Grande terá sido em 1923, tendo sido escolhido para o implantar o sítio da igreja [59].

Em 1924, o pároco da Quinta Grande, Padre A. Prazeres dos Santos,  interpretando a alegria e reconhecimento, que tem notado nos seus paroquianos, agradece de todo o coração, por este meio, a todas as pessoas que se interessaram na construção de dois fontanários que a Exma. Junta Geral mandou há pouco executar naquela freguesia. Essas pessoas entre outras são: Os senhores proprietários da água, que a cederam gratuitamente; os Exmos. Procuradores à Junta, que tanto se empenharam nessa realização; o Exmo. Engenheiro Seve­rino Antunes e empreiteiro Jo­sé da Corte, que tão competente e rapidamente fizeram os respectivos trabalhos e duma forma especial os Exmos. Srs. Drs. Vasco Marques e Reis Costa, que tanta boa vontade mostraram em mandar executar es­se tão desejado e valioso melhora­mento [60].

Contudo, em 1961, atendendo a que neste fontenário situado junto à igreja, por várias vezes tinha faltado água devido a deficiências na canalização, a Câmara deliberou mandar adquirir 280 metros de cano galvanizado e mandar executar por administração directa a ligação à rede que abastecia os fontenários dos sítios das Fontes e Vera Cruz da dita freguesia, cuja água fora adquirida a João Joaquim Henriques, para reforço do referido fontenário, podendo os sobejos serem arrematados, a título precário, a qualquer particular [61].

Em Fevereiro de 1933 anunciava-se que iria ser construído um fontenário junto à ermida da Cruz da Caldeira, a expensas da Junta Geral, visto João de Jesus ter cedido a água necessária, o que era uma obra de grande alcance dada a dificuldade de se obter água para tantos forasteiros. Até esse momento, para obviar a sede dos peregrinos era organizado um serviço braçal de água em baldes.

Fontenário das Fontes

Fontenário da Vera Cruz

Na reunião camarária de 5 de Abril de 1940 é adjudicada a João Azevedo Nóbrega, a construção de dois fontenários da freguesia da Quinta Grande [62].

No dia 28 de Maio de 1940, a Câmara inaugura na freguesia da Quinta Grande dois fontenários, um no sítio das Fontes e outro no sítio da Vera Cruz [63].

Há muitos anos que os povos daquelas localidades aguardavam a sua construção, tendo a inauguração tido lugar no dia anterior, num acto pomposo a que não faltaram as mais altas individualidades do concelho.

Em Dezembro do mesmo ano, é colocado no remate do frontispício do marco fontenário da Vera Cruz, uma cruz de Cristo [64].

A de 2 de Março de 1961, é deliberado mandar construir por administração directa um fontenário públicos no sítio da Ribeira do Escrivão, freguesia da Quinta Grande [65], [66].



[1]        Na sessão camarária de 17 de Abril de 1941.

[2]        PESTANA, Joaquim. Artigo publicado no Novo Almanaque de Lembranças Luso-Brasileiro de 1882.

[3]        Na sessão camarária de 3 de Julho de 1856 dava-se conta de que o emanilhamento desta fonte se encontrava em estado ruinoso sendo necessário a sua reparação.

[4]        Livro de vereações da CMCL de 26 de Março de 1958. Presente um requerimento de José de Sousa, proprietário, residente no sítio da vila referindo que era o dono do prédio que habita ao largo de São Sebastião. Na fachada deste prédio que deita para o mesmo largo e sobre terreno seu existia um fontenário público com o respectivo depósito que a Câmara subtraíu ao uso público. No espaço da fachada assim desocupada, porque o depósito lá continua inutilmente fez-se um tosco remendo, coberto grosseiramente a cimento, a contrastar com o arreado de toda a restante fachada do prédio. O trabalho está pois incompleto e imperfeito e tanto desfeia o edifício em que foi feito como a própria artéria em que está situado este - a principal da Vila e precisamente, em frente da Igreja paroquial, pelo que solicita o seu arranjo.

[5]        Livro de vereações da CMCL, 14 de Setembro de 1960. Deliberado destruir o fontenário existente no largo de São Sebastião.

[6]        Reunião da CMCL de 14 de Setembro de 1960.

[7]        Na sessão camarária de 15 de Outubro de 1856, o procurador do britânico Henri Veitch solicita à Câmara Municipal de Câmara de Lobos uma pena de água fonte de São Sebastião e destinada à casa que estava construindo, na vila, oferecendo em contrapartida 50 mil reis e a construção de um chafariz para distribuição pública sobre o mainel da ponte, sobre a ribeira do vigário o que merece parecer favorável, parecer esse que volta a ser abordado na sessão camarária de 13 de Novembro de 1856 e onde para além da construção do fontenário para abastecimento público Henri Veitch paga à Câmara já não 50 mas 100 mil reis. Parte desta verba viria a ser aplicada na recuperação do poço da vila.

[8]        Joaquim Pestana em Artigo publicado no Novo Almanaque de Lembranças Luso-Brasileiro de 1882.

[9]        Livro de vereações da CMCL, 22 de Setembro de 1897.

[10]       Diário da Madeira, 4 de Maio de 1913.

[11]       Carta de J.J. Fernandes publicada no Diário da Madeira de 14 de Setembro de 1935.

[12]       De acordo com Diário da Madeira de 27 de Junho de 1925, a Junta Geral do Distrito, havia remetido o projecto de construção de quatro marcos fontenários e respectivas canalizações nos sítios do Pico e Salões, na freguesia do Estreito, da Torre, do Serrado da Adega e do Espírito Santo na freguesia de Câmara de Lobos, incluindo a canalização para o abastecimento do fontenário do Poço, na vila, anunciando a esse propósito a respectiva praça, sendo o valor da licitação 25.248$00.

[13]       Diário de Notícias, 17 de Abril de 1926.

[14]       Diário da Madeira, 4 de Outubro de 1927.

[15]       O Jornal, 29 de Janeiro de 1928.

[16]       O Jornal, 25 de Abril de 1928.

[17]       Reunião da CMCL de 13 de Janeiro de 1954. Foi presente um ofício da Casa dos Pescadores do Funchal informando que o fontenário existente na área marítima no local abrangido pela construção do edifício para a lota do peixe vai ser removido inteiramente por conta daquela instituição para a praceta que lhe fica anexa.

[18]       O Jornal, 7 de Julho de 1934.

[19]       O Jornal de 16 de Junho de 1934 publica um extracto das deliberações da Junta Geral do dia 12 de Junho onde dá conta de um abaixo-assinado pedindo providências no sentido de que seja posto a funcionar o marco fontenário que existia no sítio da Palmeira e Voltas em Câmara de Lobos.

[20]       Diário de Notícias, 29 de Maio de 1941.

[21]       Reunião da CMCL de 13 de Julho de 1955.

[22]       Livro de vereações da CMCL, 9 de Outubro de 1957.

[23]       Livro de vereações da CMCL, 13 de Novembro de 1957.

[24]       Livro de vereações, 12 de Março de 1958.

[25]       Reunião da CMCL de 24 de Fevereiro de 1960.

[26]       Reunião da CMCL de 25 de Janeiro de 1961.

[27]       Livro de vereações da CMCL, 14 de Junho de 1961.

[28]       Reunião da CMCL de 2 de Março de 1961.

[29]       Reunião da CMCL de 22 de Março de 1961. Foram presentes seis propostas para o fornecimento de 920 metros de tubo galvanizado para os fontenários da Ribeira do Escrivão, na freguesia da Quinta Grande e do sítio da Caldeira na freguesia de Câmara de Lobos., tendo o fornecimento sido adjudicado a Caires e Camacho pela importância de 11$00 ao metro por ser a proposta mais vantajosa.

[30]       Reunião da CMCL de 22 de Junho de 1966.

[31]       Reunião de 27 de Julho de 1966. Foi deliberado mandar a Câmara calcetar por administração directa o largo junto do fontenário das Tabaibas, ao sítio da Ribeira de Alforra e Fonte Garcia, freguesia de Câmara de Lobos.

[32]       De acordo com o Heraldo da Madeira, de 4 de Setembro de 1904.

[33]       Livro de vereações da CMCL, 11 de Fevereiro de 1953.

[34]       A 12 Reunião da CMCL de 12 de Janeiro de 1966.

[35]       Diário da Madeira, 30 de Abril de 1913. Para além do fontenário do Salão, a Diário da Madeira defende a necessidade de construção de mais 4 fontenários: 1 no Campanário, 1 na vila, 1 na Panasqueira, e outro nas Preces .

[36]       Diário de Noticias de 6 de Julho de 1923.

[37]       Diário da Madeira, 6 de Fevereiro de 1925.

[38]       Reunião da CMCL de 26 de Fevereiro de 1964.

[39]       Reunião da CMCL de 10 de Novembro de 1965.

[40]       Reunião da CMCL de 10 de Dezembro de 1965.

[41]       Ver Livro de vereações da CMCL de 10 de Abril de 1968.

[42]       Diário da Madeira, de 18 de Junho de 1925.

[43]       De acordo com o Diário da Madeira de 3 de Junho de 1925 diversos proprietários da freguesia do Estreito haviam oferecido uma pena de água para abastecimento do marco fontenário da freguesia do Estreito que se encontrava seco.

[44]       Livro de Vereações da CMCL, 11 de Maio de 1898.

[45]    Livro de Vereações da CMCL, 2 de Janeiro de 1899.

[46]    Livro de Vereações da CMCL, 3 de Maio de 1899.

[47]       De acordo com Diário da Madeira de 27 de Junho de 1925, a Junta Geral do Distrito, havia remetido o projecto de construção de quatro marcos fontenários e respectivas canalizações nos sítios do Pico e Salões, na freguesia do Estreito, da Torre, do Serrado da Adega e do Espírito Santo na freguesia de Câmara de Lobos, incluindo a canalização para o abastecimento do fontenário do Poço, na vila, anunciando a esse propósito a respectiva praça, sendo o valor da licitação 25.248$00.

[48]    Diário de Notícias, 17 de Abril de 1926.

[49]    O Jornal de 2 de Outubro de 1931. Foi presente um ofício à sessão da Junta Geral, com o orçamento de um fontenário no sítio do Calvário, tendo sido decidido construí-lo por administração directa.

[50]       Reunião da CMCL de 28 de Junho de 1961.

[51]       Livro de vereações da CMCL, 8 de Novembro de 1961.

[52]    Livro de Vereações da CMCL, 28 de Fevereiro de 1936.

[53]       Livro de Vereações da CMCL, 25 de Setembro de 1936.

[54]       Reunião da CMCL de 11 de Julho de 1958.

[55]       Reunião da CMCL de 11 de Outubro de 1961.

[56]       A 12 Reunião da CMCL de 12 de Janeiro de 1966.

[57]       Livro de vereações da CMCL, 22 de Junho de 1966.

[58]       Livro de vereações da CMCL, 11 de Fevereiro de 1953.

[59]       De acordo com o Diário de Noticias de 6 de Julho de 1923, na sua sessão de 5 de Julho de 1923, a Junta Geral havia mandado proceder ao estudo da construção de um marco fontenário no sítio do Salão, no Estreito de Câmara de Lobos e de outro no sítio da Igreja, freguesia da Quinta Grande.

[60]       Jornal da Madeira,  21 de Setembro de 1924.

[61]       Reunião da CMCL de 25 de Outubro de 1961.

[62]       O Jornal de 30 de Abril de 1940 é publicado um excerto da acta da reunião da CMCL realizada a 5 de Abril de 1940.

[63]       O Jornal, 29 de Maio de 1940.

[64]       VERÍSSIMO, Nelson. À Volta de um Cruzeiro. Girão – Revista de Temas Culturais do concelho de Câmara de Lobos, 1º semestre de 1990, 144-145.

[65]       Reunião da CMCL de 2 de Março de 1961.

[66]       Reunião da CMCL de 22 de Março de 1961. Foram presentes seis propostas para o fornecimento de 920 metros de tubo galvanizado para os fontenários da Ribeira do Escrivão, na freguesia da Quinta Grande e do sítio da Caldeira na freguesia de Câmara de Lobos., tendo o fornecimento sido adjudicado a Caires e Camacho pela importância de 11$00 ao metro por ser a proposta mais vantajosa.

 

 

Câmara de Lobos

Dicionário Corográfico
Edição electrónica

Manuel Pedro Freitas