CÂMARA DE LOBOS - DICIONÁRIO COROGRÁFICO

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Artigo de Manuel Pedro Freitas sobre a história das levadas do concelho de Câmara de Lobos, publicado no Jornal da Madeira de 18 e 25 de Abril, 2, 9, 16 e 23 de Maio de 1999

 

 

Levada da Fonte Serrão

 

A levada das fontes do Serrão [1], [2], [3] irrigava terrenos da Lourencinha, Panasqueira e Ribeiro Real e tinha origem na fonte Serrão, uma nascente situada no sítio da Panasqueira, no lugar da Fajã, na freguesia de Câmara de Lobos e afamada pela qualidade das suas águas.

Não constando do relatório elaborado em 1863 pelo então Administrador do concelho de Câmara de Lobos, onde era feito uma espécie de inventário das levadas do concelho de Câmara de Lobos, é de admitir que esta levada tenha sido construída em data posterior. Aliás, tradicionalmente a sua construção é atribuída a Tiago de Aguiar, a fim de abastecer os terrenos que possuía em Câmara de Lobos. Posteriormente, com a venda das suas propriedades, conjuntamente com elas, também viriam a serem vendidos os direitos às suas águas, transformando-se então, esta levada, numa levada de heréus.

Para gerir a nascente e a levada constituiu-se, em data que se desconhece, uma associação de heréus que se terá mantido em actividade, até ao início dos anos 50, altura em que se extinguiu em virtude da passagem da água e das respectivas condutas para a posse dos Serviços Hidráulicos da Madeira.

Em 1956 foram as águas desta nascente, escolhidas pela Câmara Municipal de Lobos, em detrimento das da fonte da Álvaro Figueira, para abastecimento de água potável à vila de Câmara de Lobos, uma vez que eram de melhor qualidade e permitiam um mais vasto abastecimento [4], deixando por consequência, de serem estas águas utilizadas para rega.


 


[1]      No Diário da Madeira, 21 de Agosto de 1938 e no Jornal de 4 de Janeiro de 1940 são publicadas convocatórias para uma reunião de heréus.

[2]      Em 6 de Janeiro de 1944 era seu presidente João Ernesto Pereira.

[3]      CMCL.8 de Fevereiro de 1956. Foi presente um ofício da Direcção de Urbanização do Funchal remetendo copia do parecer da Direcção de Serviços de Salubridade no sentido de ser utilizada a água da nascente da Fonte Serrão para o abastecimento de água em vez da nascente de Álvaro Figueira, tendo a Câmara deliberado concordar em absoluto com a proposta, por ser de facto a solução mais adequada, quer pela qualidade e caudal da água, quer pela maior zona que virá ficar servida.

[4]      Nas sessões de 8 de Fevereiro de 1956 e de 14 de Março de 1956, a utilização das águas da fonte Serrão para abastecimento de água potável à vila de Câmara de Lobos é alvo de discussão.

 

Câmara de Lobos

Dicionário Corográfico
Edição electrónica

Manuel Pedro Freitas