CÂMARA DE LOBOS - DICIONÁRIO COROGRÁFICO

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Artigo de Manuel Pedro Freitas sobre a história das levadas do concelho de Câmara de Lobos, publicado no Jornal da Madeira de 18 e 25 de Abril, 2, 9, 16 e 23 de Maio de 1999

 

 

Levada do Norte

 

A Levada do Norte é uma levada de significativas dimensões e caudal, construída com o objectivo de transportar água para rega, desde o Norte da Ilha da Madeira, até ao sul, nomeadamente até aos concelhos da Ribeira Brava e de Câmara de Lobos.

A sua inauguração teve lugar no dia 1 de Junho de 1952,  concretizando-se, assim, um velho sonho das populações de Câmara de Lobos e que consistia na captação e aproveitamento das águas do norte da ilha, ideia que já tinha conduzido a, pelo menos duas tentativas anteriores, para a sua concretização: uma feita em 1924, por Francisco Figueira Ferraz e outra protagonizada pelo Sindicato Agrícola de Câmara de Lobos.

A Levada do Norte, ao atravessar de Oeste para Leste em toda a sua largura as zonas altas das freguesias da Quinta Grande, Câmara de Lobos e Estreito de Câmara de Lobos, para além de dotar de água importantes áreas agrícolas, veio criar, ao longo do seu percurso uma importante via de acessibilidade às pessoas, onde antes não existia e fazer com que, em virtude dessa nova acessibilidade, se assistisse a uma onde de construções habitacionais nas suas proximidades.

Esta nova acessibilidade, criada pela construção da Levada do Norte, cedo viria a ser popularmente conhecida como Vereda da Levada do Norte, denominação que ficaria posteriormente consagrada, mediante a deliberação camarária.

Contudo, recorde-se a propósito desta vereda que, apesar de ter constituído uma nova acessibilidade, onde antes não existia e de ter constituído um factor impulsionador para a construção de habitações nas suas proximidades, dadas as suas grandes dimensões e ao facto de ser um canal aberto, também foi responsável por alguns acidentes mortais de crianças que nela caiam e morriam afogadas.

Em situações pontuais, quando a vereda era muito estreita e perigosa, ou quando nas suas proximidades se assistiu a uma significativa fixação de pessoas, a levada era coberta com placas amovíveis de betão. Esta iniciativa constituindo um motivo de segurança para as pessoas, tinha também associado o perigo da sua obstrução por ramos de árvore ou outros objectos e o extravasamento da água que dada a pouca inclinação da levada se poderia  estender ao longo de dezenas de metros e causar significativos prejuízos, quer materiais, quer humanos.

 

 

Câmara de Lobos

Dicionário Corográfico
Edição electrónica

Manuel Pedro Freitas

Câmara de Lobos, sua gente, história e cultura