CÂMARA DE LOBOS - DICIONÁRIO COROGRÁFICO

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Sapata

 

Nome porque é popularmente conhecido um dos peixes da espécie Deania calceus, família Squalidae com habitat entre os 350 a 700 braças de profundidade.

É um dos chamados peixes de lixa ou de azeite. Dele os pescadores extraiam do seu fígado um óleo muito denso, de cheiro activo e nauseabundo, com que alimentavam os candeios ou fagotes de pesca. Em tempos mais recuados utilizavam-no na iluminação doméstica, servindo ainda para preservar os suínos de mordeduras de moscas, aplicado na parte superior das orelhas. A pele era utilizada como lixa em obras de marcenaria e em outras indústrias. Este tipo de peixe, apesar de pouco saboroso é utilizado na alimentação, após secagem. Os pescadores de Câmara de Lobos são especialistas na sua pesca, sendo também em Câmara de Lobos o único local onde, na Madeira, existe uma pequena indústria destinada à sua preparação e secagem, para posterior venda ao público [1], [2], [3].

O facto de depois de seco se assemelhar ao bacalhau e de todo o processo de preparação e secagem ter lugar em Câmara de Lobos, a sapata também popularmente conhecida por bacalhau de Câmara de Lobos.

Ainda que várias possam ser a sua utilização gastronómica, assume particular importância a sua utilização como petisco ou "dente" para acompanhamento na ingestão de vinho, poncha ou cerveja. Para isso é cortada em pequenos cubos, frita em óleo e depois ou é temperada com azeite, vinagre e alho ou então associada a  "cebolada".

 

 



[1]    Elucidário Madeirense: 80; 284-285.

[2]    Ilhas de Zarco, 67-84.

[3]     NUNES, A. Abreu. Peixes da Madeira. Junta Geral do Distrito Autónomo do Funchal, Funchal, 2ª edição, 1974, 212.

 

Câmara de Lobos

Dicionário Corográfico
Edição electrónica

Manuel Pedro Freitas